terça-feira, 4 de setembro de 2012

"Tatuí sempre quis ser a Capital do Teatro...."



foto do site: http://rasimagens.blogspot.com.br
A vida é um eterno aprendizado!

Há algum tempo busco informações sobre nossa Tatuí – Cidade Ternura, Terra do Doce Caseiro e Capital da Música. E por meio de diversas pesquisas que venho realizando, juntamente com Donny Barros e toda a equipe do Núcleo Experimental Cênico “Falsa Modéstia”, uma verdadeira riqueza está cada vez mais nos incentivando. São pessoas que contam histórias, jornais que acentuam nossa vida e ilustres cidadãos que escrevem a história em prol de compartilhar com as futuras gerações os tempos idos de nossa Tatuí.

Em meio às tantas buscas que realizamos nos últimos 06, quase 07 anos, diversos ilustres tatuianos foram aparecendo, alguns mais conhecidos e outros menos conhecidos de nossa população, algumas vezes muito conhecido por nome, mas sem conhecimento exato das ações que o ilustre realizou em vida. E, no decorrer desta pesquisa um ilustre tatuiense tem muito aparecido, sempre com informações que ora são curiosas e ora são emocionantes.

Hoje estou dedicando este post a esse tatuiano, Renato Ferreira de Camargo, autor de alguns livros que tive o prazer de apreciar e que indico a todo tatuiano como: “Ilustres Cidadãos”; “Memórias de Tatuí”, “Tatuí – Capital da Música”, entre outros, (alguns desses livros foram escritos juntamente com Christian Pereira de Camargo). Cito, agora, neste momento, a importância de Renato, esse ilustre cidadão pela publicação de “Achegas para a História Tatuiense”.

Tamanha surpresa aconteceu naquela tarde de quarta-feira, (29/08/2012) quando estando no Sebo Paris de minha “Cidade Ternura” me deparei com esse livro. Livro que ao adquirir sabia que seria valioso ao meu conhecimento, mas jamais imaginei que me depararia com a história de nosso Teatro, da Origem do Teatro que surgiu em 1871 na Cidade Ternura.

Fiquei imensamente feliz com a cronologia histórica que o Teatro tem em Tatuí. Todas as informações abaixo estão publicadas, com grande riqueza de detalhes estão no livro “Achegas para a História Tatuiense” de Renato Ferreira de Camargo, lembrando que aqui somente está redigido um breve cronograma servindo de “deixa” para quem sentir curiosidade em apreciar a obra de Renato.

O Teatro São João, o primeiro teatro de Tatuí, que depois passou a ser chamado de Teatro Municipal, situado na então Praça Cesário Mota (hoje Praça Manoel Guedes), construído pela “Sociedade Recreio Dramático”. Porém, em 1983 esse Teatro transformou-se em quartel e acabou sendo danificado. Depois de longo tempo abre as portas para os amadores do grupo Teatro Dramático “João Caetano” (1900 – 1920);

Com a interdição do Teatro danificado surge o “Teatrinho do Rodrigo”, liderado por Rodrigo Xavier;

O Grupo Dramático de Tatuí (1895) do qual fazia parte o ator Laudelino Correa de Morais, o “Lau Corrêa”, excelente ator que mais tarde é homenageado por um novo Grupo de Teatro;

Por acharem inoportuno reformarem o velho teatro, o Teatro São João, surge a ideia de construir um novo teatro, e foi o Cônego João Clímaco de Camargo quem faz a doação do terreno situado na esquina da Rua Santa Cruz com a Rua José Bonifácio em frente a praça Martinho Guedes (atualmente onde está situada a Praça de Alimentação. Ali permaneceu o Teatrão em seus 35 anos de existência (1918 – 1953) a mercê da vontade política. E Na década de 50, faltando acabamento, o sonho não concretizado, deu no que deu, a picareta pós abaixo;

O Grêmio Dramático “Lau Corrêa” (1920 – 1930);

O “Conjunto de Amadores Tatuienses” – 1940, que foi criticado por Tácito Mota;

João Padilha, uma grande expressão cultural de Tatuí.

Grêmio Dramático “Operário” (1940-1950), em 1956 um espetáculo é encenado em beneficio da campanha a confecção do busto do saudoso Manoel Guedes.

Tatuí terá um Conservatório Dramático e Musical e na sessão de 25 de novembro de 1952, a Assembléia Legislativa Estadual destina o “Prédio do Teatrão” para ser sede do Conservatório e para adaptar o prédio engenheiros designados para estudar a adaptação julgaram inapropriada a ação, pois a obra só serviria mesmo para aquilo que fora inicialmente designada: uma casa de arte. E assim o “Teatrão” veio abaixo e nada ali foi construído, ficando o terreno por muitos anos abandonado. O Conservatório alugou provisoriamente o casarão da família Coronel Thomaz Guedes, na Rua José Bonifácio.

O Instituto de Educação Barão do Suruí que já em 1950 tinha alunos amadores em espetáculos beneficentes no Município, mais tarde a E.E.P.S.G. “Barão do Suruí” volta ao cenário teatral com montagens de espetáculos realizadas pelos alunos, algumas inclusive participando do FETESP do Conservatório de Tatuí.

O Grêmio Dramático Tatuiense, de 15 de maio de 1950 que em 18 anos de existência tinha em seu histórico a montagem de mais de 50 espetáculos, sendo que três deles foram apresentadas no III Festival de Teatro Amador realizado em Sorocaba.

Benedito Valário, Joaquim Sotero e Benedito Rodrigues Filho (1950 – 1960)

Edicleia Salles Adub (1960-1970) –. Neste cenário dois nomes são destaques: Maria Célia Camargo, atriz de telenovelas da extinta TV Tupí e Vera Holtz, importante atriz do cenário teatral e televiso brasileiro. (currículos das atrizes ao final desse post)

“Grupo Teatral Novas Tendências” do Conservatório de Tatuí (1986) – formado por Antônio Mendes e Carlos Ribeiro

Festival Estudantil de Teatro do Estado de São Paulo – FETESP do Conservatório de Tatuí

O texto que segue abaixo se encontra nas páginas 55/56 do livro “Achegas...”

Revivência do Teatro

Foi o título que o prof. Walter Silveira da Mota, ilustre filosofo tatuiense escolheu para seu artigo no “Progresso”, de 19 de março de 1978
Tatuí não é só a capital da música. Quer ser também a capital do teatro.
Como efeito, a terra de Paulo Setúbal, desde o passado, foi apreciadora de bom teatro. Aqui existiu o afamado grêmio teatral “Lau Corrêa, além de muitos outros grupos dedicados à arte dramática.
Em Tatuí, foi construído, talvez, o primeiro teatro municipal do interior paulista que, infelizmente, depois de muitos anos foi demolido, não tendo sido inaugurado.
No momento, além das primeiras iniciativas do Conservatório Dramático e Musical “Dr. Carlos de Campos”, surgiu em janeiro deste ano o “Grupo de Teatro Amador Sombra”, que pretende reviver glórias do passado.
Esse grupo foi organizado pela jovem tatuiana Edicleia Salles Adub, uma grande vocação para o teatro, que já tem revelado pronunciadas qualidades artísticas, através das personagens por ela interpretadas.
Por enquanto o grupo é formado de dez elementos.
Já se iniciaram os trabalhos para a montagem de um novo espetáculo, cuja peça é a comédia o “Santo Milagroso”, de Lauro César Muniz.
Trata-se de uma peça leve e de muito humor, bem ao gosto do público tatuiense da atualidade.
Para o segundo semestre deste ano, outro texto brasileiro será escolhido, pois o grêmio “sombra” vai reviver, na terra de Alberto Seabra, o bom teatro que Tatuí já teve em outras épocas.

As informações que segue não constam no livro “Achegas...”

Grupos atuantes em Tatuí no ano de 2012:


Grupo Totem de Rivaldo Nogueira, em atividade desde 1993;

Núcleo Experimental Cênico “Falsa Modéstia” (fundado em 30/10/2005) e que tem como membros: Pedro Couto, Rogério Vianna, Donny Barros, Fernanda Xavier, Leonardo Carvalho, Beatriz Xavier de Carvalho, Alba Mariela, Rogério Iamaguchi e como atores convidados: Fernanda Mendes, Letícia Barros, Carlos Alberto Agostinho, Dado Barros, Gabriel Monti, Arthur Falcão;

Cia de Teatro do Conservatório de Tatuí - 2009 - (anteriormente Grupo Teatral “Novas Tendências”) sob coordenação de Carlos Ribeiro e com o seguinte corpo de atores: Adriana Afonso, Carlos Doles, Carlos Ribeiro, Dalila Ribeiro, Daniele Silva, Fernanda Mendes, Hugo Muneratto, Marcos Caresia, Rogério Vianna e os alunos bolsistas: Camila Vieira, Gabriel Tonin, Leonardo Thin, Lucas Fernandes; Mabliane Jacob, Nathalie, Abreu, Thais Almeida e William Priante.
  
Grupo Arteemq que surgiu em fevereiro de 2011 com o curta metragem “O Diabo de Macário”, inspirado na obra “Macário” de Alvarez de Azevedo. Durante o início ainda produziu outros dois curtas: “Matheusa e Matheus”, inspirado na obra de Qorpo Santo, e “Morra, Beatriz!”, inspirado na obra “A Morta” de Oswald de Andrade. Sua primeira aparição no teatro foi com a intervenção/cena “La vie Boheme”, recorte do famoso musical da Broadway “Rent”. Em 2012 estreiam “Johny e Duda” de Gabriel Tonin, e “O Metamorfético” de Francisco Tasta, que continua em cartaz pela região. Atualmente estão em produção com o espetáculo “Benzedrino e Magnólio e a Sopa de Pedra”, adaptado do texto de Tatiana Belinky, e “O Homem de Duas Mulheres e o Misterioso Caso de sua Morte” de Gabriel Tonin.

Núcleo de Pesquisas Teatrais “1º Andar” (criado recentemente) que tem o seguinte corpo de atores: Ana Paula Arruda, Ângela Huggler, Antônio Huggler e Dado Barros


Currículo das Atrizes que brilham no cenário televisivo

MARIA CÉLIA CAMARGO
Foto Divulgação-Novela Ti-Ti-Ti- TV Globo
Nasceu em Itapetininga, cresceu em Tatuí, onde iniciou no teatro amador, e se mudou para a capital. Uma vez na capital, estudou teatro com Ruggero Jacobbi. Em 1954 começou a atuar no palco, e continuou a participar do TBC (Teatro Brasileiro de Comédia), em peças de grande importância.
Começou sua trajetória profissional aos 19 anos, no teatro. A primeira peça em que atuou foi “Filha de Iório”, de Gabriele D´Annunzio. Nela, dividiu o palco com nomes como Sérgio Cardoso e Cacilda Becker. “
Formou-se em Direito, pela Faculdade Mackenzie, mas voltou-se para a televisão e fez o “Teleteatro Brastemp”, na TV Excelsior. 
Foi então contratada pela TV Tupi e fez “TVs de Vanguarda”, que  o principal programa da época  e 'varias novelas, entre as quais: “Alma Cigana”, “O Sorriso de Helena”, “A Ré Misteriosa”. “Meu Filho, Minha Vida”, “O Homem que Sonhava Colorido”, e outras. Participou também dos “TVs de Comédia”, programa mais  leve dirigido por Geraldo Vietri.
Em 1965 foi para a Companhia Nydia Licia e nos dez anos seguintes foi produtora teatral e atriz. Fez a super produção “Jesus Cristo Superstar”,  peça  na qual fez o papel  de Maria Madalena. Depois ainda voltou à TV Tupi e em 1977 participou da novela “Éramos Seis”. Por último fez “O Direito de Vencer”, na TV Record.
Voltou à televisão em 2006, na novela “Cristal”, do SBT. Fez também “Maria Esperança” (2007). No ano seguinte, em 2008, participou do projeto  "Câmera Café", também do SBT, que eram pequenas esquetes bem humoradas, exibidas ao longo da programação.
Entre 2010 e 2011, estreou na Rede Globo no remake da novela "Ti ti ti", onde interpretou Dona Mocinha.
Maria Célia é viúva do ator Altair Lima. E tem filhos. Mulher muito inteligente e educada, sua presença sempre é marcada por essas virtudes.


VERA LÚCIA FRALETTI HOLTZ
Foto Divulgação - Novela Avenida Brasil - Rede Globo
Vera Holtz, nasceu em Tatuí, em 7 de agosto de 1952. Formou-se em Artes Plásticas e Desenho Geométrico. Já desde os 18 anos dava aulas de matemática para suas colegas de escola e se salientava por ser muito inteligente. Mas era também muito bonita, tanto que chegou a ser " Miss Tatuí", em 1977. Depois transferiu-se para a capital, e , para se sustentar, conseguiu emprego no Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo-IPT, que a transferiu depois para o Rio de Janeiro. Nessa cidade, além do trabalho, Vera estudou piano e arte dramática.
A carreira artística começou no teatro, em 1979, na peça de Oduvaldo Vianna Filho: " Rasga Coração". Depois ela entrou para o " Grupo Tapa" e fez: " O Anel e a Rosa", em 81. Fez: " Tempo Quente na Floresta Azul", em em 83. " Caiu o Ministério", em 85; " Dias felizes", em 2001  e " Não Ficamos Muito Bem Juntos",em 2002.  Seu maior sucesso, porém, foi em "Pérola", de Mauro Biasi, em que fazia o papel título.
Em televisão, Vera Holtz  entrou e está até hoje na Rede Globo de Televisão, onde ela começou em 1983, na novela: “Parabéns  Pra Você". Em 89, fez: "Que Rei Sou Eu" e "Top Model". Em 90, fez: " Desejo" e "Barriga de Aluguel".Em 91, fez: " Vamp". Em 92: " De Corpo e Alma". Em 95: " A Próxima Vítima". Em 96: " O Fim do Mundo". Em 97: " Por Amor". Em 99, fez a minissérie: " Chiquinha Gonzaga". Em 2000, minissérie: "A Muralha" e a novela: "Uga-Uga". Em 2001, minissérie: "Presença de Anita". Em 2002, fez a novela: " Desejos de Mulher". Em 2003, fez maravilhosamente uma alcoólatra, em: “Mulheres Apaixonadas". Em 2004: "Cabocla". Em 2005, o seriado: “Carga Pesada" e a novela: "Belíssima". Em 2006: "O Profeta". Em 2007: " Paraíso Tropical". Em 2008: " Três Irmãs". E em 2010, "Passione". Atualmente é a “Mãe Lucinda da novela “Avenida Brasil”
Em cinema, Vera Holtz já participou de 14 filmes, sendo quatro  curtametragens, como: " Meu Nome é João"; "Diário Noturno";" Vicente"  e " Nos Tempos do Cinematógrafo". E os demais são filmes de longa metragem. Em 1991, fez: " Assim Na Tela Como No Céu". Em 93: " Capitalismo Selvagem". Em 94:" Mil e Uma". Em 95: " Carlota Joaquina, Princesa do Brazil". Em 2000: " Tônica Dominante". Em 2003: " Apolônio Brasil, Campeão da Alegria". Em 2005: " Bendito Fruto".Em 2006: " O Cavaleiro Didi e a Princesa Lili"  e " Anjos do Sol".
Vera  Holtz é considerada uma das maiores atrizes, pois é criativa e muito carismática.

Currículos do site http://www.museudatv.com.br

Camargo, Renato Ferreira de, “Achegas para a História Tatuiense” – 1ª edição, setembro de 2000


2 comentários:

  1. Como seu maior fã não posso deixar de parabenizar essas descobertas maravilhosas que faz de nossa Tatuí. Como sabe não sou nascido em Tatuí, mas sou filho adotivo porque realmente ela me acolheu no meio de sua cultura aflorada e enraizada em toda cidade. Parabéns meu amigo! Cada postagem se torna cada vez melhor e quem sabe não possa lhe render um livro? Pense nisso... Estou com você no que precisar...

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  2. Parabéns mais uma vez pelo empenho em destacar as qualidades artísticas de Tatuí. Fantástico trabalho do Renato que merecia muito mais reconhecimento por parte de nossa população e administradores. Parabéns !!!

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